domingo, 3 de março de 2013

ADAPTAÇÃO OU ACOLHIMENTO? EIS A QUESTÃO!


Durante os meses de fevereiro e março, muitos de vocês, professores que atuam na Educação Infantil estão vivenciando juntamente com as crianças um momento delicado de transição da família para a escola ou de um grupo para o outro, ou seja, o momento de inserção da criança em um novo contexto.  O modo como você acolhe a criança e propõe as atividades nessa fase inicial pode fazer toda a diferença para o trabalho pedagógico a ser desenvolvido no decorrer do ano, por isso, nós do CRINFANCIA nos propomos a discutir sobre esse processo de transição e inserção, propondo dicas pedagógicas importantes que lhes permitirão conhecer melhor sua criança e a partir disso elaborar seu planejamento anual.

Mediante as propostas de atividades que apresentamos aqui, pretendemos investir na ideia de acolhimento, porque entendemos que nesse processo tanto a criança como o adulto estão se conhecendo, para isso é necessário que haja a construção de vínculos afetivos de tal modo que permita despertar na criança o desejo de participar das experiências de ensino-aprendizagem propostas nesse novo contexto, assim como, ela sente-se a vontade ao explorar seu espaço familiar. E, dessa forma, romper com a ideia de adaptação, porque nesse processo o que vale é o indivíduo encaixar-se ou enquadrar-se ao modelo de sociedade capitalista vigente.


Para começar a estabelecer vínculos afetivos com a criança é interessante que você proporcione uma atmosfera familiar a sua sala de aula. Como fazer isso?

1) Solicite que as crianças tragam fotos nas quais apareçam seus familiares, retratando algum passeio ou festa ou ainda a sua relação com animais de estimação.

Como explorar esses materiais?

o  Para os bebês que ainda não andam uma sugestão é fixar as fotos no chão do ambiente no qual circulam. Antes de expor e explorar as fotos é preciso conversar com os familiares sobre o conteúdo das imagens, como por exemplo, o nome de quem aparece na foto, onde ela foi tirada e o que estava acontecendo.

Enquanto eles estiverem engatinhando converse com eles sobre o que estão vendo nas cenas, tente estimulá-los a balbuciar palavras ou frases que remetam ao que está sendo observado. Também não se esqueça de observar as reações dos bebês enquanto olham as fotos, para isso providencie um caderno de anotações para registrar se:
- houve manifestações de saudade, como por exemplo, choro,
- de alegria, como por exemplo, sorrisos e palmas,
- tentativas de balbuciar o que está sendo visto nas fotos.

Enfim, você poderá fazer os registros que considerar relevantes, para melhor conhecer os bebês bem como acompanhar o seu processo de aprendizagem.

o Para crianças maiores, entre 2 e 3 anos,  é possível organizar  juntamente com elas um mural de fotos à sua altura, para que elas apontem e relatem o que estão vendo ou vivenciaram. Essa exploração poderá acontecer de forma direcionada por você, ou nos momentos de atividades de livre escolha. Quando for direcionada, você poderá conversar com elas sobre: o nome de quem aparece nas fotos, o local e o acontecimento.

Assim como, o sugerido para os bebês, nessa faixa-etária você poderá continuar adotando o caderno de registros no qual você registrará se:

- a criança organiza o pensamento para relatar os fatos observados,
- fala palavra soltas,
- e demonstra interesse pelo relato das outras crianças.

 Para as crianças de 4 e 5 anos, sugerimos que seja confeccionado com elas uma “caixa surpresa” , ao guardar as fotos na caixa elas poderão relatar o que desejarem sobre o que observam nas imagens, durante os relatos você poderá observar e registrar como elas organizam e expressam suas ideias. Em outro momento, você poderá organizar um mural com as fotos e em seguida permitirá que elas apreciem as fotos expostas. Após a apreciação, as crianças poderão fazer uma releitura de sua foto, para isso clique aqui

Agora, após essas primeiras dicas que deixamos aqui, convido vocês a refletirem sobre:

Por que propor essas atividades a partir de fotos do contexto familiar?
Ø Porque, essas experiências de ensino-aprendizagem podem representar para a criança uma forma de sentir-se próxima a família e com isso sentir-se segura. E, para você, pode ser uma maneira de conhecer melhor a criança e a sua família: saber como se constitui as famílias de seu grupo, as experiências culturais vividas, que conteúdos já conhecem e também o que lhes agrada ou desagrada.

Quais as contribuições dessas experiências para o desenvolvimento da criança?
Ø Por meio dessas sugestões de atividade, é possível contribuir no desenvolvimento de sua linguagem oral, na apreciação de imagens, na socialização e, sobretudo em seu processo de inserção nesse novo contexto social.

É isso aí pessoal, esperamos que essas primeiras dicas possam contribuir para o planejamento de atividades que de fato possibilitem a formação de vínculos afetivos sólidos entre você, seus alunos e seus familiares. Após aplicação de algumas dessas dicas, esperamos que utilizem o espaço de comentários para relatar como aproveitou as sugestões dadas e a repercussão desse trabalho no processo de acolhimento e inserção da criança no contexto escolar. 

2 comentários:

bruna morelato disse...

Achei muito interessante a proposta e a iniciativa de vcs. Irei colocar em prática as sugestões e depois relato os resultados.

eliane monica maria lúcia disse...

É isso mesmo Bruna, é muito importante para nós o relato de vcs, para sabermos o quanto tem contribuído e para ajuda vcs em suas dúvidas. Aproveite esse espaço é de vcs, professores da Educação Infantil!