terça-feira, 12 de março de 2013

Da roda de conversa ao desenho



3ª DICA: NA RODA DE CONVERSA, SUGERIMOS QUE SEJAM FEITOS QUESTIONAMENTOS A RESPEITO DO QUE DIZ A MÚSICA, TENTANDO FAZÊ-LAS PERCEBER O QUE A CRIANÇA DA MÚSICA NÃO SABE E DEPOIS APRENDE. NESSE MOMENTO INCENTIVE-AS A DIZER O QUE JÁ SABEM FAZER SOZINHAS E O QUE AINDA PRECISAM DE AJUDA.

Para refletir: A roda de conversa é uma atividade bastante recorrente na rotina da Educação Infantil, segundo Costa (2007, p. 5) passou a ser incorporada às práticas da Educação Infantil mediante a defesa da livre expressão da criança pré-escolar, sendo Freinet o precursor dessa prática nessa etapa de ensino. Dessa forma, a RODA DE CONVERSA é um dos instrumentos da Pedagogia de Freinet que visa a livre expressão e, na dinâmica educativa, é, também, “[...] um momento importante para o grupo se conhecer e se organizar. [...] é um momento privilegiado no atendimento à necessidade de exprimir sentimentos e idéias e comunicar-se com os outros” (FERREIRA, apud, Costa, 2007,  p. 5).

Contudo, assim como, Costa (2007, p. 5) entendemos que a roda de conversa não é apenas um instrumento pedagógico, mas sim tempos e espaços interlocutivos que acontece por meio da conversação. Para Marcuschi (2006, p. 14), “[...] a conversação é a primeira das formas de linguagem a que estamos expostos e provavelmente a única da qual nunca abdicamos pela vida afora. [...] é o gênero básico da interação humana”. Assim, utilizamos o gênero conversação na maior parte das atividades que realizamos durante a vida: no trabalho, na escola, nas ruas, na família, ou seja, nas atividades humanas de forma geral. Marcuschi (2006) apresenta, ainda, algumas características da conversação que são: a conversação é um espaço privilegiado para a construção de identidades sociais; a conversação exige uma enorme coordenação de ações que exorbitam, em muito, as simples habilidades lingüísticas dos falantes; a conversação não é fenômeno anárquico e aleatório, mas altamente organizado e possível de ser estudado com rigor científico.


4ª DICA: ATIVIDADE DE REGISTRO - APÓS A RODA DE CONVERSA SUGIRA QUE AS CRIANÇAS REALIZEM ESTA ATIVIDADE clique aqui 


TONUCCI, 1988, p. 88

Fundamentos Teóricos da Atividade: Para começarmos nossa reflexão a respeito dessa atividade de desenho, trouxemos uma epígrafe do livro “O Pequeno Príncipe” de Antoine de Saint-Exupéry:

Certa vez, quando tinha seis anos, vi um livro sobre a Floresta virgem [...] uma imponente gravura. Representava ela uma jiboia que engolia uma fera: Dizia o livro: ‘As jibóias engolem, sem mastigar, a presa inteira. Em seguida não podem mover-se e dormem seis meses da digestão’. Refleti então sobre as aventuras na selva, e fiz, com meu lápis de cor, meu primeiro desenho [...] Mostrei às pessoas grandes e perguntei se meu desenho lhes fazia medo. Responderam-me: ‘ Por que um chapéu faria medo?’ Meu desenho não representava um chapéu. Representava uma jibóia digerindo um elefante. Desenhei então, o interior da jibóia, a fim de que as pessoas grandes pudessem compreender. Elas têm sempre a necessidade de explicações [...] (1990, p.  9-10)

Mediante a epígrafe acima é possível perceber que a lógica da criança não é a mesma que a nossa de adultos, porque conforme explica Leite (2004, p. 64) “[...] o desenho não é necessariamente, retrato direto/devolução do visto/vivido [...]”

Muito embora reconheçamos que a atividade de desenho sugerida nessa sequência direciona a uma representação a ser feita, isso não quer dizer que a criança terá por obrigação representar a realidade tal qual uma fotografia. Precisamos ter claro que representar não é o mesmo que reproduzir, copiar ou fotografar.

A criança quando desenha “[...] está mais ligada ao processo que ao produto. Seu desenho é pleno de transitoriedade, movimento, idas e vindas, como a tessitura de uma narrativa, no caso, visual [...]” (Leite, 2004, p. 66). Dessa forma é preciso ter claro que, os desenhos são dotados de uma dimensão estética e poética, ou seja, “[...] não são como signos simbólicos e convencionais a serem decodificados e lidos [...]” (2004, p. 63).

Para compreender o desenho infantil é necessário observar as crianças enquanto desenham, porque nesses momentos, elas se mexem, falam, gesticulam, cantam, locomovem-se, colorem e rabiscam.  E, tudo isso “[...] entra na composição dos significados primários, secundários e nos conteúdos de seus desenhos [...]”, (Leite 2004, p. 73).


Nesse sentido, é necessário repensar a prática de o adulto nomear por escrito o desenho produzido pela criança, pois, assim como, Leite (2004, p. 74) entendemos que “[...] nenhum de nós teria o direito de interferir na produção pessoal de meninos e meninas, descrevendo, nomeando ou datando. Qualquer interferência se desejada pelas crianças ou se necessária, poderia ser mais respeitosamente feita no verso das folhas, quem sabe?[...]”


Fontes:
COSTA, Dania Monteiro Vieira. O trabalho com a linguagem oral na educação infantil em uma instituição de Educação Infantil. 2007. 234 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, 2006.

MARCUSCHI, Luiz Antônio. Análise da conversação. São Paulo: Ática, 2006.

LEITE, Maria Isabel. A criança desenha ou o desenho criança? A ressignificação da expressão plástica de crianças e a discussão crítica do papel da escrita em seus desenhos. In: OSTETTO, Luciana Esmeralda; LETE, Maria Isabel. Arte, Infância e Formação de Professores – Autoria e Transgressão. Campinas –SP: Papirus, 2004.

SAINT-EXUPÉRY, Antoine. O Pequeno Príncipe, Petrópolis-RJ: AGIR S. A, 1990





2 comentários:

Anônimo disse...

O Seu blog é maravilhoso! Parabéns!!!

eliane monica disse...

Obrigada,a participação do público que nos acompanham é muito importante para que o nosso blog continue contribuindo para a prática dos professores da Educação Infantil e séries iniciais do Ensino Fundamental.
Abraços;
Equipe Crinfancia